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Seguro Condominial: O Que é Obrigatório, O Que é Opcional e Como Economizar

Guia completo sobre seguro condominial: coberturas obrigatórias, opcionais, como contratar e reduzir custos sem perder proteção.

Em janeiro de 2025, um incêndio destruiu 12 apartamentos em um condomínio de Belo Horizonte. O seguro cobriu a estrutura do prédio — R$ 4,2 milhões —, mas três moradores que não tinham seguro individual perderam tudo. Móveis, eletrodomésticos, documentos. Sem reembolso.

Essa situação expõe uma confusão que persiste na maioria dos condomínios brasileiros: a diferença entre o seguro obrigatório do condomínio e o seguro individual de cada unidade. E o síndico que não entende essa distinção está colocando a administração — e o próprio bolso — em risco.

O que a lei exige

O Código Civil (art. 1.346) é direto: todo condomínio é obrigado a contratar seguro contra incêndio e destruição, total ou parcial. Não é opcional. Não depende de aprovação em assembleia. É responsabilidade do síndico.

O seguro obrigatório cobre a estrutura do edifício: paredes, lajes, telhado, instalações hidráulicas e elétricas das áreas comuns, elevadores, portaria, salão de festas. Basicamente, tudo que não pertence a uma unidade específica.

O que o seguro obrigatório NÃO cobre

  • Móveis e pertences dos moradores
  • Reformas internas feitas pelo proprietário (piso, armários planejados, bancadas)
  • Responsabilidade civil por acidentes com terceiros (visitante que escorrega na piscina)
  • Danos elétricos em equipamentos individuais
  • Roubo de bens em áreas privativas

Essa lista é o que gera 90% das reclamações após sinistros. O morador acha que “o seguro do prédio cobre tudo” — e descobre que não cobre na hora errada.

Coberturas obrigatórias vs. opcionais

CoberturaO que protege
IncêndioEstrutura do edifício
RaioDanos causados por descarga elétrica
ExplosãoGás, caldeiras, equipamentos

Opcionais (mas altamente recomendadas)

Responsabilidade civil do condomínio — Cobre indenizações quando o condomínio é responsabilizado por danos a terceiros. Exemplo: queda de reboco da fachada que atinge um pedestre. Sem essa cobertura, o condomínio paga do próprio caixa.

Danos elétricos — Curto-circuito em bombas d’água, portões automáticos, sistema de interfone. Manutenção elétrica é cara. Essa cobertura evita rateios extras.

Vendaval e granizo — Essencial em regiões com tempestades frequentes. Telhas quebradas, janelas de áreas comuns estilhaçadas, alagamento de garagem.

Quebra de vidros — Fachadas com vidro temperado ou pele de vidro. Substituir um painel pode custar mais que o prêmio anual inteiro.

Roubo de bens em áreas comuns — Equipamentos do salão de festas, ferramentas da manutenção, bicicletas do bicicletário (com limite).

Como calcular o valor correto do seguro

O erro mais comum: contratar o seguro pelo valor de mercado dos apartamentos. O seguro condominial cobre reconstrução, não valor de venda.

Passo a passo

  1. Calcule o custo de reconstrução por m² — O CUB (Custo Unitário Básico) regional é a referência. Em São Paulo, gira em torno de R$ 2.100/m² para padrão médio (2025).

  2. Multiplique pela área total construída — Inclui áreas comuns, garagem, subsolo.

  3. Some o valor de reposição de equipamentos — Elevadores, bombas, geradores, sistemas de segurança.

  4. Aplique margem de 10-15% — Para cobrir custos de demolição, limpeza e adequação a normas atualizadas.

Um prédio de 3.000 m², padrão médio em SP: R$ 2.100 × 3.000 = R$ 6,3 milhões + equipamentos (R$ 500 mil) + margem = aproximadamente R$ 7,5 milhões em importância segurada.

Subseguro é o maior risco. Se o valor segurado for 50% do real, a seguradora paga proporcionalmente — mesmo em sinistros parciais. Isso se chama cláusula de rateio e pega muitos condomínios desprevenidos.

Quanto custa na prática

O prêmio anual do seguro condominial varia entre 0,02% e 0,05% da importância segurada, dependendo das coberturas e do perfil do condomínio.

Para o exemplo acima (R$ 7,5 milhões): entre R$ 1.500 e R$ 3.750 por ano. Dividido por 40 unidades: R$ 3 a R$ 8 por mês por apartamento.

Fatores que aumentam o prêmio

  • Condomínio antigo (mais de 30 anos) sem laudo estrutural
  • Histórico de sinistros
  • Ausência de para-raios ou extintor vencido
  • Gás canalizado (GLP) em vez de gás natural
  • Fachada com revestimento cerâmico sem manutenção

Fatores que reduzem o prêmio

  • Prédio novo ou com laudos atualizados
  • Sistema de combate a incêndio em dia (AVCB válido)
  • Portaria 24h com CFTV
  • Instalações elétricas revisadas nos últimos 5 anos
  • Contratação de múltiplas coberturas no mesmo pacote

Passo a passo para contratar (ou renovar)

1. Faça o levantamento do prédio

Antes de cotar, reúna: planta do condomínio, área construída total, lista de equipamentos das áreas comuns, AVCB, laudo elétrico, histórico de sinistros.

2. Cote com pelo menos 3 seguradoras

Use corretoras especializadas em condomínios. As maiores do segmento: Porto Seguro, Tokio Marine, Allianz, SulAmérica, Zurich. Cada uma tem perfis de risco diferentes — o mais barato para um prédio pode ser o mais caro para outro.

3. Compare coberturas, não só preço

O seguro mais barato com subseguro de 40% vai custar muito mais caro quando precisar usar. Compare:

  • Importância segurada vs. custo real de reconstrução
  • Franquias de cada cobertura
  • Exclusões (letra miúda)
  • Prazo para vistoria e pagamento de sinistro

4. Apresente em assembleia

Embora a contratação seja obrigação do síndico, é boa prática apresentar as cotações em assembleia. Mostra transparência e evita questionamentos posteriores.

5. Mantenha os documentos acessíveis

Apólice, endossos, contato da corretora, procedimento para abertura de sinistro. Tudo em local que o subsíndico e o conselho também acessem.

Sinistro: o que fazer quando acontece

  1. Isole a área — Segurança primeiro. Chame bombeiros se necessário.
  2. Registre tudo — Fotos, vídeos, boletim de ocorrência.
  3. Acione a seguradora em até 24h — Ligue para a corretora e abra o sinistro. O atraso pode complicar a análise.
  4. Não faça reparos antes da vistoria — A seguradora precisa avaliar o dano original. Reparos emergenciais (para evitar agravamento) são permitidos, mas documente.
  5. Reúna documentação — Notas fiscais de equipamentos danificados, orçamentos de reparo, laudos técnicos.

Erros que síndicos cometem (e como evitar)

Renovar automaticamente sem recotar — A cada renovação, cote novamente. Seguradoras mudam condições. O prédio muda. Equipamentos são instalados ou removidos.

Não atualizar o valor segurado — A reforma que adicionou academia, bicicletário e coworking aumentou o patrimônio. O seguro precisa acompanhar.

Ignorar o seguro de responsabilidade civil — Uma ação judicial por acidente em área comum pode gerar indenizações de R$ 100 mil a R$ 500 mil. O seguro RC custa centavos por unidade.

Confundir seguro do condomínio com seguro do morador — São produtos diferentes. O síndico deve informar os moradores sobre a necessidade de contratar seguro individual.

Seguro do morador: orientação que o síndico pode dar

Embora não seja obrigação do condomínio, muitos síndicos incluem uma orientação na circular ou no app de gestão. O seguro residencial individual cobre:

  • Conteúdo do apartamento (móveis, eletrônicos)
  • Responsabilidade civil familiar (dano ao vizinho por vazamento)
  • Roubo e furto qualificado
  • Danos elétricos em equipamentos
  • Assistência 24h (chaveiro, encanador, eletricista)

O custo médio: R$ 15 a R$ 40 por mês, dependendo da cobertura. Muito menos do que o prejuízo de um sinistro sem proteção.

Como o Residente ajuda nesse processo

Gerenciar seguros, documentos, prazos de renovação e comunicação com moradores sobre coberturas demanda organização. O Residente centraliza a gestão documental do condomínio, permite enviar comunicados sobre a importância do seguro individual e mantém o histórico de apólices acessível para síndico e conselho — tudo em um único lugar.


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