Um condomínio de 120 unidades em Belo Horizonte reduziu a taxa condominial em 18% no ano passado. Não cortou serviços. Não demitiu funcionários. Apenas começou a cobrar pelo uso de espaços que já existiam — e que ficavam ociosos a maior parte do tempo.
Essa história se repete em milhares de condomínios pelo Brasil. Salões de festa vazios de segunda a quinta. Coberturas com vista privilegiada sem nenhuma antena de telecom. Halls de entrada sem nenhum painel digital. Tudo isso é dinheiro parado.
A boa notícia: transformar esses ativos ociosos em receita não exige obra faraônica nem investimento pesado. Exige planejamento, aprovação em assembleia e uma gestão financeira organizada.
Vamos às oportunidades concretas.
Aluguel de espaços para eventos
A fonte mais óbvia — e ainda subutilizada. Muitos condomínios cobram dos próprios moradores uma taxa simbólica pelo salão de festas. Mas poucos exploram o potencial completo.
O que dá para fazer:
- Cobrar taxa de uso realista dos moradores (não apenas R$ 50 para “cobrir limpeza”)
- Alugar para terceiros em condomínios comerciais ou mistos
- Oferecer churrasqueiras, espaços gourmet e quadras para locação por hora
Valores de mercado:
- Salão de festas para moradores: R$ 300 a R$ 800 por evento
- Espaço gourmet por turno (4h): R$ 150 a R$ 400
- Quadra poliesportiva por hora: R$ 80 a R$ 200
- Receita mensal estimada: R$ 1.500 a R$ 5.000/mês (dependendo do porte e localização)
O segredo está na frequência. Um salão alugado 8 vezes por mês a R$ 500 gera R$ 4.000. Dinheiro que vai direto para o caixa do condomínio.
Ponto de atenção: crie um regulamento claro. Horários, capacidade máxima, regras de som, checklist de entrega. Isso evita 90% dos conflitos.
Antenas de telecomunicação
Essa é a receita mais passiva que existe. Uma operadora instala a antena na cobertura ou na fachada, faz a manutenção por conta própria e deposita o aluguel todo mês. O condomínio não faz quase nada.
Valores de mercado:
- Antena de celular (ERB): R$ 2.000 a R$ 8.000/mês
- Antena de internet/provedor regional: R$ 500 a R$ 2.000/mês
- Contrato típico: 10 a 20 anos com reajuste anual pelo IGP-M ou IPCA
Um condomínio de médio porte em São Paulo pode faturar R$ 5.000/mês com uma única antena de operadora grande. Em cidades menores, provedores regionais pagam menos, mas o valor ainda compensa.
Como conseguir:
- Cadastre o condomínio nos sites das operadoras (Vivo, Claro, TIM, Oi)
- Procure empresas intermediárias especializadas em locação de lajes
- Avalie o laudo estrutural — nem todo prédio suporta o peso
A aprovação exige quórum de 2/3 dos condôminos (Art. 1.342 do Código Civil), já que altera a fachada. Prepare uma apresentação com os valores e leve para assembleia.
Coworking condominial
A pandemia mudou o jeito de trabalhar. Muita gente faz home office, mas nem todo apartamento tem espaço para um escritório decente. O coworking dentro do condomínio resolve isso.
Modelos possíveis:
- Sala compartilhada com mesas, Wi-Fi e tomadas — acesso por reserva
- Cabines individuais (phone booths) para videoconferências
- Sala de reunião para até 6 pessoas, alugada por hora
Valores de mercado:
- Mensalidade de acesso ao espaço compartilhado: R$ 150 a R$ 350/morador
- Sala de reunião por hora: R$ 40 a R$ 80
- Investimento inicial (mobiliário + internet dedicada): R$ 15.000 a R$ 40.000
- Receita mensal estimada com 15 assinantes: R$ 2.250 a R$ 5.250/mês
O payback costuma acontecer em 6 a 12 meses. Depois disso, é receita líquida.
Dica prática: comece simples. Uma sala com 4 mesas, cadeiras ergonômicas, ar-condicionado e um bom link de internet já atende a demanda inicial. Escale conforme o uso.
Publicidade em elevadores e áreas comuns
Painéis digitais em elevadores viraram um negócio milionário no Brasil. Empresas como Eletromidia e LiftAd instalam as telas, gerenciam o conteúdo e pagam um percentual ao condomínio.
Valores de mercado:
- Painel digital em elevador: R$ 200 a R$ 600/mês por tela
- Condomínio com 4 elevadores: R$ 800 a R$ 2.400/mês
- Painel em hall de entrada ou garagem: R$ 300 a R$ 800/mês
O condomínio não gasta nada. A empresa fornece o equipamento, instala e mantém. O contrato costuma durar 3 a 5 anos.
Alternativas além de telas:
- Adesivos em espelhos de elevador
- Displays em portarias
- Totens digitais na entrada do condomínio
- Espaço para banners em áreas de grande circulação
Para condomínios com mais de 200 unidades em bairros nobres, a publicidade em elevadores pode render acima de R$ 3.000/mês sem nenhum investimento.
Locação de vagas de garagem
Vagas ociosas são outro ativo desperdiçado. Moradores que não têm carro podem alugar suas vagas — e o condomínio pode intermediar ou cobrar uma taxa administrativa.
Valores de mercado:
- Vaga em região central de capital: R$ 300 a R$ 800/mês
- Vaga em bairro residencial: R$ 150 a R$ 400/mês
- Taxa administrativa do condomínio (10-20% do valor): R$ 30 a R$ 160/mês por vaga
Alguns condomínios criam um “banco de vagas” — moradores cadastram vagas disponíveis, e o condomínio gerencia a locação para outros moradores ou terceiros.
Atenção: a convenção precisa permitir a locação para terceiros. Caso contrário, a locação fica restrita entre condôminos. Verifique antes de propor.
Lavanderia compartilhada
Máquinas de lavar e secar em um espaço comum. O modelo funciona especialmente bem em condomínios com studios e apartamentos compactos, onde não há área de serviço.
Valores de mercado:
- Ciclo de lavagem: R$ 8 a R$ 15
- Ciclo de secagem: R$ 6 a R$ 12
- Investimento (4 máquinas industriais): R$ 25.000 a R$ 50.000
- Receita mensal estimada: R$ 2.000 a R$ 4.500/mês
Existem empresas que operam no modelo de comodato: instalam as máquinas sem custo e dividem a receita com o condomínio (geralmente 50/50 ou 60/40). Nesse caso, o investimento é zero.
Carregadores para veículos elétricos
O mercado de carros elétricos cresce mais de 60% ao ano no Brasil. Instalar carregadores na garagem posiciona o condomínio à frente — e gera receita.
Valores de mercado:
- Carregador semi-rápido (22kW): R$ 8.000 a R$ 15.000 (investimento)
- Cobrança por kWh consumido: R$ 1,50 a R$ 2,50
- Receita mensal estimada (5 recargas/dia): R$ 800 a R$ 2.000/mês
Empresas como Tupinambá, Zletric e WEG oferecem modelos de parceria onde o condomínio cede o espaço e a empresa instala e opera o carregador, repassando parte da receita.
Tabela resumo: fontes de receita comparadas
| Fonte de receita | Investimento inicial | Retorno mensal (R$) | Complexidade | Prazo de retorno |
|---|---|---|---|---|
| Aluguel de espaços | Baixo (regulamento) | 1.500 – 5.000 | Baixa | Imediato |
| Antenas de telecom | Nenhum | 2.000 – 8.000 | Média | Imediato |
| Coworking | R$ 15k – 40k | 2.250 – 5.250 | Média | 6 – 12 meses |
| Publicidade em elevadores | Nenhum | 800 – 2.400 | Baixa | Imediato |
| Locação de vagas | Nenhum | 500 – 3.000 | Baixa | Imediato |
| Lavanderia compartilhada | R$ 0 – 50k* | 2.000 – 4.500 | Média | 6 – 12 meses |
| Carregadores EV | R$ 0 – 15k* | 800 – 2.000 | Alta | 8 – 18 meses |
*Valores zerados quando há parceria com empresa operadora (comodato ou revenue share).
Um condomínio que combine 3 ou 4 dessas fontes pode gerar R$ 8.000 a R$ 20.000/mês em receita extra. Isso representa uma redução de 15% a 30% na taxa condominial — sem cortar nada.
O passo a passo para implementar
Não adianta sair contratando tudo de uma vez. O caminho é:
1. Mapeie os ativos ociosos. Quais espaços ficam vazios? Tem laje disponível? Vagas sobrando? Faça um inventário.
2. Pesquise fornecedores. Peça propostas de operadoras de telecom, empresas de mídia em elevador e operadores de lavanderia. Compare.
3. Monte um estudo de viabilidade. Investimento necessário, receita projetada, prazo de retorno. Números concretos convencem assembleias.
4. Leve para aprovação. A maioria das receitas extras exige aprovação em assembleia. Algumas precisam de quórum qualificado (2/3 para alteração de fachada, por exemplo).
5. Formalize contratos. Sempre com assessoria jurídica. Defina prazos, reajustes, responsabilidades e cláusulas de rescisão.
6. Preste contas. Toda receita extra precisa aparecer nos balancetes mensais, separada das cotas condominiais. Transparência mantém a confiança dos moradores.
Como o Residente ajuda nesse processo
Gerar receita extra é metade do trabalho. A outra metade é gerir esse dinheiro com transparência.
O Residente facilita cada etapa. A gestão financeira centraliza receitas e despesas em um só lugar — incluindo as receitas extras, com categorização separada para que os moradores vejam exatamente de onde vem cada centavo.
A prestação de contas fica disponível online, em tempo real. Nada de esperar a assembleia anual para descobrir quanto rendeu o aluguel das antenas.
E quando chegar a hora de aprovar novos projetos de receita? As assembleias online do Residente permitem votação digital, com quórum verificado e ata automática. O síndico apresenta o estudo de viabilidade, os moradores votam, e tudo fica registrado.
Condomínio que gera receita extra e presta contas com clareza constrói confiança. E confiança é o que faz a gestão funcionar.
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