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Previsão orçamentária do condomínio: passo a passo e modelo

Aprenda a montar a previsão orçamentária do condomínio: levantamento de custos, reservas, reajustes, aprovação em assembleia e um modelo prático para não errar na taxa.

A taxa condominial vira problema quando o orçamento é feito “no feeling”. Um mês a conta fecha, no outro aparece um gasto grande, e a solução vira rateio extra com todo mundo reclamando.

Previsão orçamentária não é um documento para cumprir tabela. É o que separa um condomínio previsível de um condomínio que vive de improviso.

Neste guia, você vai ver um passo a passo para montar o orçamento anual, com um modelo simples e os erros que mais derrubam síndicos no primeiro ano.

O que é previsão orçamentária (na prática)

É uma estimativa do que o condomínio vai gastar e arrecadar no próximo período (geralmente 12 meses), com base em:

  • histórico de despesas
  • contratos vigentes
  • calendário de manutenções
  • inflação/reajustes
  • metas (ex.: reduzir inadimplência, melhorar segurança)

O resultado final é a taxa condominial que sustenta o funcionamento, além do planejamento de fundos e reservas.

Antes de começar: pegue os dados certos

Separe pelo menos 12 meses de:

  • balancetes e extratos
  • notas fiscais / recibos principais
  • contratos e aditivos
  • inadimplência mensal (valor e %)

Se a prestação de contas atual é confusa, este post ajuda a organizar o formato antes de projetar o futuro:

Passo a passo para montar a previsão orçamentária

1) Liste todas as despesas fixas (o que acontece mesmo se nada “der errado”)

Normalmente entram aqui:

  • folha de pagamento (salários, encargos, benefícios)
  • portaria/segurança (quando terceirizado)
  • limpeza e conservação
  • água (quando coletiva)
  • energia das áreas comuns
  • elevadores (manutenção)
  • administradora/contabilidade
  • seguros
  • internet/telefonia

A dica é usar a média dos últimos 6–12 meses, corrigindo por reajustes já previstos em contrato.

2) Separe as despesas variáveis (onde mora o susto)

Variáveis comuns:

  • manutenções corretivas (quebra de bomba, portão, interfone)
  • serviços pontuais (dedetização, jardinagem extra)
  • materiais (limpeza, EPIs, pequenos reparos)
  • consumo de água/energia com sazonalidade

Aqui você tem duas opções seguras:

  • média histórica + margem
  • orçamento “base zero” para itens que estavam fora de controle (revisar linha por linha)

3) Trate manutenção preventiva como linha de orçamento (e não como “se sobrar”)

Quando a preventiva não entra no orçamento, ela nunca vira prioridade. E, no fim, você paga mais na corretiva.

Comece pelo mínimo e aumente com maturidade. Um checklist ajuda a não esquecer o básico:

4) Defina fundos e reservas com regra simples

O orçamento não é só despesas do mês. Ele precisa prever proteção.

Em geral, você vai trabalhar com:

  • Fundo de reserva: para emergências e despesas extraordinárias (ver regra da convenção)
  • Provisões: “poupança” para despesas previsíveis (13º, férias, pintura programada, modernização)

Se o condomínio confunde fundo de reserva com caixa do dia a dia, vale revisar:

5) Considere reajustes e inflação (sem inventar número)

Algumas linhas têm índice de reajuste em contrato (IPCA, INPC, dissídio, etc.). Outras você estima.

Uma forma prática:

  • despesas com contrato: use o índice do contrato
  • despesas sem contrato: aplique uma projeção conservadora (ex.: IPCA anual)

Evite o erro clássico de “segurar taxa” e depois explodir rateio.

6) Calcule a taxa e teste cenários

Depois de somar tudo, você chega no total anual. A taxa é:

Total anual / 12 / frações ideais (ou rateio definido)

Antes de fechar, faça 2 testes:

  • Cenário conservador: +5% nas variáveis
  • Cenário de estresse: inadimplência sobe 3–5 pontos percentuais

Se o caixa não aguenta nenhum cenário, o orçamento está subdimensionado.

Modelo de orçamento (exemplo simplificado)

Abaixo um modelo enxuto (valores fictícios) para você visualizar a estrutura.

CategoriaValor mensal (R$)Observação
Folha/encargos18.000Inclui provisão de 13º e férias
Portaria/segurança22.000Contrato com reajuste anual
Limpeza6.500Inclui material básico
Energia áreas comuns4.200Média 12 meses
Água7.000Pode variar por sazonalidade
Elevadores3.200Manutenção mensal
Administradora/contabilidade2.000Honorários
Manutenção preventiva (geral)2.500Agenda publicada
Despesas variáveis (média)3.000Margem para correções
Total mensal68.400

Se o condomínio tem 80 unidades com rateio igual, isso dá R$ 855 por unidade/mês (antes de fundo de reserva, se separado).

Erros que mais aparecem (e como evitar)

Erro 1: usar só o mês anterior como referência

Um mês “barato” engana. Sempre use média e olhe sazonalidade.

Erro 2: não provisionar encargos trabalhistas

Quando a folha existe, 13º e férias existem. Não provisionar vira rombo previsível.

Erro 3: ignorar inadimplência

Se o condomínio tem 12% de inadimplência, você não pode montar orçamento como se 100% pagasse em dia.

Se você quer atuar na raiz, aqui tem um guia prático:

Erro 4: “taxa bonita” para evitar desgaste

Segurar taxa pode até reduzir reclamação por 1–2 meses. Depois, vira rateio extra, que desgasta muito mais.

Erro 5: orçamento que ninguém entende

Quando o morador não entende, ele desconfia. Use linguagem simples, gráficos e 1 página de resumo.

Aprovação em assembleia: como apresentar sem virar batalha

Uma apresentação que costuma funcionar:

  1. Mostre o histórico (últimos 12 meses)
  2. Mostre o que muda (reajustes, novos contratos, manutenções)
  3. Explique o impacto na taxa com números
  4. Traga 1–2 alternativas (cenários) e as consequências

Se a assembleia for online/híbrida, este conteúdo pode ajudar no formato:

Como tratar obras e melhorias (CAPEX) sem distorcer a taxa

Um erro comum é misturar no orçamento mensal despesas que deveriam ser tratadas como investimento planejado (pintura, modernização, grandes reformas). Se você joga tudo na taxa, ela fica instável.

Três formas mais usadas:

  • Fundo específico aprovado em assembleia (com prazo e objetivo)
  • Rateio extraordinário com cronograma e justificativa
  • Provisão mensal por um período (quando a obra é previsível)

O importante é separar o que é “funcionamento” do que é “projeto”.

Rateio: igual para todos ou por fração ideal?

Cada condomínio tem regra na convenção. O que você precisa é explicar de forma simples:

  • Rateio igual: cada unidade paga o mesmo (comum em condomínios menores)
  • Fração ideal: unidades maiores pagam mais (muito comum)
  • Critérios mistos: parte igual, parte por fração (menos comum, mas existe)

Na apresentação, mostre 2–3 exemplos de unidades (pequena/média/grande) com o valor final. Isso reduz a sensação de “pegadinha”.

Acompanhamento mensal: orçamento bom é o que você revisa

Depois de aprovado, faça o básico todo mês:

  • comparar orçado vs realizado
  • explicar desvios relevantes (ex.: acima de 10%)
  • ajustar projeção quando houver mudança grande (contrato, consumo, manutenção)

Essa disciplina é o que evita surpresas e dá confiança para moradores.

CTA final

Previsão orçamentária boa não é a mais complexa; é a que você consegue acompanhar mês a mês, comparar com o realizado e ajustar rápido.

O Residente ajuda a organizar comunicação e rotinas de gestão, o que facilita a prestação de contas e reduz ruído quando chega a hora de discutir orçamento com os moradores.

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