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Elevadores em Condomínio: Manutenção, Modernização e Como Reduzir Custos

Guia completo sobre elevadores em condomínio: contratos de manutenção, quando modernizar, custos médios, legislação e como evitar paradas frequentes.

Em março de 2025, um condomínio de 20 andares em São Paulo ficou 11 dias com apenas um dos três elevadores funcionando. A peça de reposição — uma placa eletrônica do inversor de frequência — não existia em estoque no Brasil. Importação emergencial: R$ 47 mil, fora a mão de obra. O contrato de manutenção não cobria esse tipo de componente.

Durante esses 11 dias, moradores dos andares altos fizeram de tudo: desde subir de escada com compras até ameaçar processo contra o síndico. Um idoso do 16º andar precisou ser carregado em cadeira por dois funcionários da portaria para chegar a uma consulta médica.

A situação era evitável. Não com sorte, mas com gestão.

Como funciona o contrato de manutenção

Todo elevador instalado em condomínio precisa de contrato de manutenção com empresa habilitada. É obrigatório por lei em todos os estados brasileiros. O que muda — e onde mora o problema — é o que esse contrato cobre.

Os três tipos de contrato

1. Contrato básico (ou de chamados) Cobre apenas visitas de manutenção preventiva mensal e atendimento a chamados de emergência. Peças e componentes são cobrados à parte. É o mais barato (R$ 600 a R$ 1.200/mês por elevador) e o que mais gera surpresas no orçamento.

2. Contrato intermediário Inclui manutenção preventiva, atendimento emergencial e troca de peças de desgaste natural (sapatas, rolamentos, botões, contatos). Componentes eletrônicos maiores ficam de fora. Faixa de R$ 1.200 a R$ 2.500/mês por elevador.

3. Contrato full (ou completo) Cobre praticamente tudo, incluindo peças eletrônicas, motor e quadro de comando. É o mais caro (R$ 2.500 a R$ 5.000/mês por elevador), mas elimina imprevistos. Para elevadores com mais de 15 anos, costuma ser o mais econômico no longo prazo.

O que verificar antes de assinar

  • Tempo máximo de atendimento emergencial — o padrão de mercado é 1 a 2 horas em capitais. Exija que esteja no contrato
  • Lista de peças inclusas e exclusas — peça o anexo detalhado. “Peças de desgaste” é vago demais
  • Multa por elevador parado — alguns contratos preveem desconto na mensalidade se o elevador ficar inoperante por mais de 24 ou 48 horas
  • Exclusividade de peças — fabricantes de elevadores tentam impor uso exclusivo de peças originais. Em muitos casos, peças compatíveis homologadas funcionam igual por menos

Manutenção preventiva vs. corretiva

A preventiva é o que mantém o elevador funcionando. A corretiva é o que você paga quando a preventiva falha.

Manutenção preventiva mensal inclui:

  • Lubrificação de guias e componentes mecânicos
  • Verificação de freios e limitador de velocidade
  • Teste de nivelamento de parada
  • Inspeção de cabos de tração (desgaste, corrosão)
  • Limpeza da casa de máquinas
  • Verificação do quadro de comando

Sinais de que a preventiva não está sendo feita direito:

  • Elevador para entre andares com frequência
  • Nivelamento irregular (degrau entre cabine e andar)
  • Ruídos anormais — rangidos, batidas, vibração excessiva
  • Portas que não abrem ou fecham suavemente
  • Tempo de espera aumentando progressivamente

Se o condomínio percebe esses sinais, o caminho é cobrar a empresa formalmente (por escrito), documentar cada ocorrência e, se não houver melhora em 60 dias, buscar outro fornecedor.

Quando modernizar

Elevadores têm vida útil de 20 a 25 anos. Depois disso, a manutenção fica cada vez mais cara e as paradas mais frequentes. Modernização não é trocar o elevador inteiro — na maioria dos casos, é substituir os componentes que mais impactam no funcionamento:

Modernização parcial

  • Quadro de comando — trocar o sistema de controle analógico por digital. Melhora o nivelamento, reduz consumo de energia e permite diagnóstico remoto. Custo: R$ 25 mil a R$ 60 mil por elevador
  • Portas — substituir portas manuais por automáticas. Além do conforto, elimina um dos principais pontos de falha. Custo: R$ 15 mil a R$ 35 mil por andar
  • Cabine — reforma estética (piso, painéis, iluminação LED, espelho, ventilação). Custo: R$ 8 mil a R$ 20 mil

Modernização completa

Troca de todo o sistema: quadro de comando, motor, cabos, portas, cabine e sinalização. O poço e a estrutura permanecem. Custo: R$ 150 mil a R$ 400 mil por elevador, dependendo do número de paradas e do fabricante.

Como decidir

A conta é simples: some o gasto anual com manutenção corretiva dos últimos 3 anos. Se esse valor se aproxima de 15-20% do custo de modernização, o investimento se paga em 5-7 anos — sem contar a valorização do imóvel e a redução no consumo de energia (que pode chegar a 40% com motor de imã permanente).

Legislação e obrigações

RIA (Relatório de Inspeção Anual)

Em São Paulo (Lei 10.348/87 e decreto regulamentador), todo elevador precisa passar por inspeção anual realizada por empresa habilitada e registrada no CONTRU. O laudo (RIA) deve ficar disponível no condomínio. Outros estados e municípios têm legislação similar.

Condomínio sem RIA em dia pode ser multado e, em caso de acidente, a responsabilidade civil do síndico aumenta significativamente.

ART (Anotação de Responsabilidade Técnica)

O contrato de manutenção deve ter ART registrada no CREA, com engenheiro responsável identificado. Sem ART, o contrato pode ser considerado irregular.

Acessibilidade

A NBR 13994 define requisitos para elevadores acessíveis. Na modernização, é obrigatório incluir:

  • Botoeira em Braille e relevo
  • Sinalização sonora de andar
  • Espelho na parede oposta à porta (para cadeirantes)
  • Dimensões mínimas de cabine conforme norma

Economia de energia

Elevadores representam 5% a 15% do consumo de energia de um condomínio. Para edifícios com mais de 10 andares, esse percentual pode ser ainda maior.

Medidas que reduzem o consumo sem exigir modernização completa:

  • Iluminação LED na cabine — redução de 60-70% no consumo da iluminação
  • Modo stand-by — desliga iluminação e ventilação após 5 minutos sem uso
  • Programação de tráfego — em horários de baixo movimento, manter apenas 1 elevador ativo (para condomínios com 2+ elevadores)
  • Regeneração de energia — elevadores modernos devolvem energia à rede quando descem com carga. A economia pode chegar a 30%

Como o síndico deve acompanhar

Gestão de elevador não é só assinar contrato e esperar. O mínimo que o síndico deve fazer:

  1. Registrar toda ocorrência — data, horário, descrição do problema, tempo de resolução. Plataformas como o Residente facilitam esse controle com histórico acessível a qualquer momento
  2. Cobrar o relatório mensal da empresa de manutenção — o que foi feito, o que foi identificado, o que precisa de atenção
  3. Acompanhar o RIA — agendar a inspeção anual com antecedência e garantir que as pendências sejam resolvidas
  4. Manter a casa de máquinas limpa e ventilada — temperatura acima de 40°C danifica componentes eletrônicos
  5. Fazer cotação competitiva a cada 2-3 anos — fidelidade com fornecedor não significa aceitar preço abusivo

Erros comuns

  • Escolher pelo menor preço — contrato barato com peças exclusas acaba custando mais
  • Não ler o contrato — especialmente as cláusulas de exclusão
  • Ignorar o livro de ocorrências — sem registro, não há como cobrar a empresa
  • Adiar modernização — cada ano de adiamento aumenta o custo total
  • Não provisionar — a recomendação é reservar 10-15% do fundo de reserva para elevadores em edifícios com mais de 15 anos

Próximos passos

  1. Revise o contrato de manutenção atual — entenda exatamente o que está coberto
  2. Levante o histórico de chamados dos últimos 12 meses
  3. Verifique se o RIA está em dia
  4. Se o elevador tem mais de 15 anos, peça orçamento de modernização de pelo menos 3 empresas
  5. Inclua no orçamento anual uma reserva específica para elevadores

Elevador é o equipamento mais caro e mais utilizado de um condomínio. Tratar sua gestão com a mesma seriedade que se trata a parte financeira não é exagero — é obrigação.


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