Quando a bomba d’água falha, o condomínio descobre rápido. Falta pressão, o último andar fica sem água, morador liga irritado, e o conserto costuma ser caro porque acontece “de surpresa”.
O ponto é: bomba quase nunca quebra do nada. Ela avisa. E uma rotina simples de manutenção preventiva evita a maioria dos casos.
Neste guia, você vai entender o básico do sistema, os sinais de falha e um checklist prático para o síndico organizar a manutenção.
Como funciona a bomba d’água (explicação curta)
Em muitos prédios, a água chega da rua para uma cisterna (reservatório inferior). A bomba faz a água subir para a caixa superior e/ou pressuriza a rede.
Os componentes que mais aparecem:
- bomba (ou conjunto de bombas: principal + reserva)
- boias/sensores de nível
- quadro de comando (contator, relé, inversor quando houver)
- tubulação e válvulas
- pressostato (em sistemas pressurizados)
Se qualquer parte falha, o efeito é o mesmo para o morador: “acabou a água”.
Sinais de que a bomba está pedindo socorro
Alguns sinais são óbvios. Outros passam batido até virar pane.
Sinais na operação
- variação de pressão (chuveiro “pulsando”)
- bomba ligando e desligando toda hora (ciclagem)
- demora para encher a caixa superior
- falta d’água frequente em horários de pico
Sinais físicos/visuais
- vazamentos na casa de máquinas
- aquecimento fora do normal
- cheiro de queimado no quadro
- vibração e ruído diferente do padrão
Sinais no custo
- conta de energia sobe sem explicação (bomba trabalhando mais)
- aumento de chamados de manutenção corretiva
Quando o condomínio não tem histórico organizado, esses sinais se perdem. Por isso, vale ter um calendário e um registro mínimo:
Checklist de manutenção preventiva (o que pedir do fornecedor)
A rotina exata depende do modelo e do uso, mas este checklist cobre bem o dia a dia.
Mensal
- inspeção visual de vazamentos e corrosão
- verificação de ruído/vibração
- checagem de boias/sensores de nível
- teste de partida (principal e reserva)
- limpeza básica do ambiente (casa de máquinas não é depósito)
Trimestral (ou semestral, conforme uso)
- reaperto de conexões elétricas (com segurança e profissional habilitado)
- verificação de vedação e selos mecânicos
- checagem de válvulas de retenção e registros
- leitura de corrente do motor (indício de sobrecarga)
Anual
- revisão mais completa do conjunto (rolamentos, alinhamento)
- avaliação do quadro de comando (proteções, contator, relés)
- inspeção de tubulação e suportes
Se o prédio tem duas bombas (principal e reserva), a regra é: a reserva precisa funcionar de verdade. Muita gente descobre que a “reserva” está travada no dia da emergência.
Quanto custa manter vs consertar (valores típicos)
Os valores variam por região e complexidade, mas a comparação ajuda na decisão.
| Item | Preventivo (típico) | Corretivo (típico) | Observação |
|---|---|---|---|
| Visita técnica | R$ 150–400 | R$ 250–600 | Depende do contrato |
| Troca de boia/sensor | R$ 150–500 | R$ 200–700 | Peça + mão de obra |
| Selo mecânico | R$ 200–700 | R$ 400–1.200 | Falha comum em vazamento |
| Reparo/queima de motor | — | R$ 1.500–6.000 | Pode exigir rebobinamento |
| Substituição de bomba | — | R$ 2.500–12.000+ | Varia por potência e marca |
Não é promessa de “economia mágica”. É matemática: preventiva reduz a chance de você comprar bomba no susto, pagar plantão e ainda lidar com morador sem água.
Problemas comuns (e como resolver na raiz)
1) Bomba “ciclando” (liga e desliga o tempo todo)
Causas comuns:
- vazamento na rede
- pressostato desregulado
- válvula de retenção com problema
- boia/sensor com falha
A solução não é “aumentar a pressão”. É achar a causa.
2) Queima recorrente
Se queima mais de uma vez, provavelmente tem:
- sobrecarga elétrica
- falta de proteção adequada no quadro
- problema de aterramento
- operação fora do ponto (bomba trabalhando “forçada”)
Aqui, a correção envolve profissional habilitado. Evite improviso.
3) Casa de máquinas vira depósito
Parece detalhe, mas atrapalha acesso, aumenta risco e piora limpeza.
Regra simples: casa de máquinas não é local para guardar material de obra, papelão, bicicleta.
Como contratar manutenção sem cair em armadilha
Ao comparar propostas, peça respostas objetivas:
- Quantas visitas preventivas por ano?
- O que está incluso (peças? mão de obra? urgência)?
- Prazo de atendimento em emergência?
- Quem é responsável técnico?
E registre isso em uma tabela de contratos. Se você já está revisando fornecedores, este guia ajuda a pensar gestão como rotina:
Comunicação com moradores: reduz desgaste
Quando a bomba dá sinais e você agenda manutenção, avise antes:
- dia e janela de horário
- impacto esperado (pode haver oscilação de pressão)
- canal para relatar problema (apto + horário)
Isso diminui “chamados em massa” e ajuda a identificar padrão (ex.: só a coluna X tem queda de pressão).
Rotina de teste da bomba reserva (o que muita gente esquece)
Se existe bomba reserva, ela precisa entrar em operação periodicamente. Caso contrário, ela “enferruja parada” e falha justamente quando você mais precisa.
Um procedimento comum (ajuste com o técnico):
- alternar operação entre principal e reserva (se o quadro permitir)
- testar a reserva pelo menos 1 vez por mês
- registrar data e resultado (funcionou? ruído? vibração?)
Esse registro simples já evita a surpresa desagradável.
Checklist rápido para o dia a dia (porteiro/zelador)
Nem toda checagem depende de técnico. Dá para criar um checklist de 2 minutos:
- há vazamento visível na casa de máquinas?
- ruído diferente do normal?
- cheiro de queimado no quadro?
- pressão “estranha” relatada por vários apartamentos?
Se a resposta for “sim”, você antecipa a manutenção antes de virar falta d’água.
O que colocar no contrato de manutenção
Se você está contratando (ou renegociando), inclua pelo menos:
- visitas preventivas com periodicidade definida
- prazo de atendimento em emergência
- relatório por visita (o que foi verificado e o que precisa de ação)
- peças de desgaste: como serão cobradas (tabela, aprovação prévia)
Contrato sem relatório vira “visita fantasma”.
Bomba de recalque x pressurizador (não confunda)
Em alguns prédios, a bomba só enche a caixa superior (recalque). Em outros, existe um pressurizador para manter pressão constante na rede.
Quando o problema é “pressão fraca”, nem sempre é falta de água: pode ser pressostato, válvula, vazamento ou pressurizador desregulado. Entender qual sistema o condomínio tem evita gasto em peça errada.
CTA final
Bomba d’água é um daqueles itens que ninguém lembra quando está funcionando. E todo mundo lembra quando para.
O Residente ajuda o síndico a organizar rotinas, comunicados e histórico de manutenção para que o condomínio não dependa de memória e improviso.